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No Dia dos Pais, o Festival Acordes do Amanhã faz uma reflexão sobre a paternidade

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No Dia dos Pais, o Festival Acordes do Amanhã faz uma reflexão sobre a paternidade

Mais de 160 mil crianças foram registradas sem o nome do pai em 2020. Em 2021, até o mês de agosto, esse número já chegou a mais de 99 mil nascidos sem ter o sobrenome paterno. Os dados são da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen/BR) e revelam a brutal realidade brasileira, filhos que crescem sem uma referência paterna. Grave também e, que vale a nossa reflexão, é como essa referência é vista atualmente pelas famílias.

Há tempos, grupos de pesquisadores se debruçam em um debate sobre uma paternidade saudável. A pesquisa intitulada “Precisamos falar com os homens? Uma jornada pela igualdade de gênero”, realizada pela ONU Mulheres e o portal Papo de Homem nos traz reflexões interessantes sobre o que é ser pai. 

Repensar a paternidade é também repensar a masculinidade estereotipada. Essa construção ainda é baseada no homem “provedor”, do capital viril, da cultura do herói durão. Do homem que não chora, do homem que não pode demonstrar afetos pelos seus amigos. A masculinidade propogada ainda hoje é uma masculinidade heterossexual, com restrições emocionais e o incentivo de se expressar por meio da violência.

A pesquisa citada anteriormente, “Precisamos falar com os homens? Uma jornada pela igualdade de gênero”, se transformou em um documentário, que pode ser visto gratuitamente no YouTube. As obras culturais, muitas vezes, servem como um canal de transformação de temas da sociedade. O Festival Acordes do Amanhã acredita no poder dessa mudança e, neste Dia dos Pais, indica algumas produções artísticas que refletem sobre o papel da paternidade em nosso cotidiano. 

A paternidade em produções culturais

1. Paternidade (filme)

Neste ano, a Netflix lançou o filme Paternidade (Fatherhood – 2021), que mostra a vida de Matt, que após se tornar viúvo no dia seguinte ao nascimento de sua primeira filha, Maddy, se vê em volta ao desafio de ser um pai solteiro. O filme foge aos clichês de pais aprendendo a cuidarem dos filhos sem a mãe, mostrando um pai maduro tomando decisões críveis na criação da filha.

O longa é inspirado na história real de Matt Logelin, que deu origem ao livro “Dois Beijos para Maddy”.

2. Procurando Nemo (filme)

Um clássico dos estúdios Pixar, Procurando Nemo, disponível no Disney +, é a indicação para ver com toda a família. A animação de 2003 conta a história de um pai à procura do seu filho, Nemo, que se perdeu no mar. Marlin, pai de Nemo, atravessa todo o oceano atrás de seu filho. 

O filme mostra o poder e a conexão que há na relação entre um pai e um filho. 

3. Todos Nós Cinco Milhões (documentário)

Esse documentário híbrido, que mistura a linguagem documental de relatos reais e atuações de histórias sobre abandono paterno, se debruça sobre os males do abandono parental, tanto para a criança como para a mãe. O longa trabalha muito sobre a questão da mãe solo, que não está desligada da responsabilidade da paternidade. 

O documentário de que trata essa realidade brasileira, Todos Nós Cinco Milhões, está disponível para ser visto gratuitamente no YouTube.

A mulher grávida, no filme de Alexandre Mortagua, sofre diversos abandonos, um resquício do machismo que ainda está impregnado na sociedade. Ela é abandonada pelo namorado, que foge de sua responsabilidade. Há também o abandono dos pais, que não aceitam que a filha esteja grávida. O abandono dos amigos, que acham que a mãe não está socializando como antes. Abandono da sociedade, que se nega a empregar mulheres que tiveram filhos.

4. Paternidade de Homens Trans (podcast)

Esse episódio do podcast Bendita Geni – Jornalismo LGBT, publicado em agosto de 2020, discute um tema importantíssimo para os nossos tempos, a paternidade do homem trans. Em pouco mais de 20 minutos, a produção debate a raiva dos conservadores ao ver Thammy Miranda, em um homem trans, sendo protagonista de uma propaganda de Dia dos Pais de uma marca de perfumes em 2020. O acontecimento reacendeu o debate sobre o que é ser pai em nossa sociedade.

O capítulo traz relatos riquíssimos de homens trans que são pais e como eles exercem ou tentam exercer a paternidade, mesmo sem o apoio familiar.  “Se ele me ver como pai, ele vai me chamar de pai. Se ele me ver como mãe, vai me chamar de mãe. Se ele quiser me tratar pelo nome de registro, tudo bem, porque é a vontade dele. Porque ele é meu filho, não que eu aceite isso de terceiros”. Esse é um dos relatos dos entrevistados do podcast.

O episódio pode ser ouvido em diversos agregadores de podcasts e também pela plataforma do Youtube. 

O debate é longo quando o assunto é a paternidade LGBTQIA+. Segue uma lista de podcasts para você que quer se aprofundar mais nesta temática tão necessária em nossa sociedade. 

#139. Paternidade LGBTTQIPA (HQ da Vida) – Entre Fraldas

#106 – Família Transdicional Brasileira – Tricô de Pais

#054 – Paternidade Trans feat. Cézar Sant’Anna – Tricô de Pais

#15. Paternidade Trans – com Apollo Arantes – Papo de Pai 

5. Na Minha Pele (livro)

Neste livro intitulado Na Minha Pele, o ator Lázaro Ramos relata suas memórias e reflexões sobre sua vida, empoderamento e negritude. Em um dos capítulos, Lázaro traz à tona o tema da paternidade e como essa relação, em famílias negras, é ainda mais urgente. O olhar crítico em relação ao mundo, a uma sociedade estruturalmente racista, aflora. A preocupação de não nutrir em nossas crianças uma visão racista deve, ou deveria ser, uma inquietação que assola todos que assumem o papel de parentalidade.

Em um artigo do portal Literafro, a professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Glauciane Santos, coloca Lázaro Ramos na seara de autores que trabalham com o letramento racial. O termo se refere à utilização de livros, filmes, sites e outros meios de comunicação para conscientizar as pessoas em uma educação antirracista. O ator baiano já publicou mais dois livros, de cunho infantil, A Velha Sentada (2010) e Cadernos de Rimas do João (2015). 

6. Crisântemo (clipe)

E não poderíamos esquecer de falar de música. O debate da negritude e a parentalidade ganha mais escopo nas produções de Emicida. No videoclipe que indicamos hoje, Crisântemo, o artista perpassa a paternidade que não é assumida por problemas enraizados em nossa sociedade e que afligem em maior número os homens negros: o alcoolismo, a violência policial, o racismo estrutural, violências essas que chegam a causar a morte.  

Emicida, em Crisântemo, se inspira na perda do próprio pai. O clipe mostra as consequências desse acontecimento durante a infância dele e de seus irmãos. 

Na produção audiovisual da música Crisântemo, gravada na ocupação Mauá, em São Paulo, que conta com cerca de mil pessoas, o alcoolismo e a violência são os responsáveis por esse abandono paternal. A ausência de um pai, causada por essas violências, é outra cicatriz que as crianças brasileiras levam com elas ao longo da vida. Resquício de uma desigualdade social e do racismo estrutural praticada em nossa sociedade.

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